Saudações Hellbangers.
Supremacia Rock entrevista mais uma banda icônica da cena curitibana, não somente pelo seu som, mas também pela temática mística, MYTHOLIGYCA.
Vamos nessa...

1- A banda carrega o nome “Mythologyca”. Como surgiu a ideia de unir o Heavy Metal clássico com narrativas históricas e mitológicas? Há alguma cultura ou período específico que mais fascina vocês?
Eu gosto muito de mitologias, sejam elas de qualquer parte de mundo ou época. Ainda quando estava em outra banda, o Beltane, eu criei o conceito da Mythologyca para outra banda que acabou não dando certo, então a logomarca e todo o conceito ficaram guardados e em 2018 eu apresentei-os ao Vika que de pronto acolheu as ideias e na mesma hora a banda nascia. Além do meu gosto pessoal por mitologias, quando eu criei este nome eu me inspirei em bandas como Metallica e Apocalyptica, que são bandas que pegam uma palavra em inglês e a “latinizam” colocando esse “a” no final.
2 - A Mythologyca mistura referências muito marcantes dentro do som. Queria saber quais bandas e artistas mais influenciam vocês hoje, tanto no cenário nacional quanto internacional?
A gente ouve muitas bandas e com certeza traz um pouco de cada na hora de compor. Os clássicos sempre estão nos nossos fones de ouvido ou no carro, Dio, Sabbath, Maiden, Judas... eu pessoalmente sempre procuro ouvir coisas que ainda não tinha ouvido, um exemplo recente foi descobrir a carreira solo do Tony Martin e Russell Allen.
3 - As capas dos álbuns de vocês são visualmente muito ricas. O quanto a estética visual da banda é planejada para complementar as letra?
As capas são sempre pensadas para apresentar detalhes que prendam as pessoas e as faça procura-los. A gente cresceu escaneando visualmente as capas do Iron Maiden não é?! Hehehehehe Então a gente sempre tenta colocar a representação gráfica de algo que estamos falando no álbum e caprichar nos detalhes.
4 - A banda costuma compor em inglês, mas “Cacique Guairacá” veio em português. Vocês pretendem explorar mais o português ou o inglês continua sendo o foco para o mercado internacional?
O inglês continua sendo a língua oficial do Metal mundial e a gente não pretende mudar isso, o Metal nasceu nessa língua e ela encaixa muito bem no estilo. Mas é claro que outras línguas serão sempre bem-vindas quando depender do contexto. A história do Cacique Guairacá tinha que ser contada em português também para atingir de forma mais direta quem não é do meio Heavy Metal, se trata de uma história heróica que não nos contaram na escola e as pessoas precisam saber.
5 - Vocês lançaram “Cacique Guairacá”, abordando uma figura histórica local. Como foi o processo de pesquisa para compor sobre um líder indígena e qual a importância de trazer a história nacional para o metal?
Desde criança eu viajava para Guarapuava aqui no Paraná pois tinha parentes nessa cidade. Lá, em uma das avenidas, tinha (e ainda tem) uma estátua de um índio com um lobo guará ao seu lado. Em algum momento da minha vida adulta eu descobri que aquele índio era o Cacique Guairacá. A vontade de falar algo sobre a cultura indígena brotou em minha mente e logo em seguida o Cacique Guairacá parece que acenou como se dissesse: “cara, tô aqui! Conta minha história!”
Acho muito importante falarmos da nossa história que é riquíssima! Guairacá lutou contra a invasão europeia aqui na região onde hoje estão o Paraná, Santa Catarina, sul de São Paulo e Paraguai. Sua luta durou 50 anos e ele uniu muitas tribos para expulsar o invasor. A gente hoje se intitula dono da terra que roubamos desses povos e a história oficial tenta sufocar esses fatos.
6 - A banda passou por mudanças de integrantes ao longo dos anos. Como a entrada de novos músicos influenciou o processo criativo e a dinâmica nos palcos?
Desde o momento em que eu e o Vika montamos a banda deixamos claro uma coisa, que a banda seríamos nós dois e chamaríamos para cada álbum integrantes diferentes para aqueles momento. Isso aconteceu mais ou menos assim até a chegada do baterista Neto Falcão que, fora eu e o Vika, hoje é o membro mais antigo na Mythologyca. Pessoa novas sempre trazem novas influências e isso é sempre bem-vindo, é isso que traz “cores novas” ao nosso estilo.
7 - Curitiba é conhecida por ser um celeiro de bandas de metal. Como vocês enxergam a cena atual da cidade e quais os maiores desafios de ser uma banda independente hoje?
Curitiba tem muita coisa boa dentro do universo Metal, ótimas bandas e excelentes músicos. O que falta é talvez uma conscientização do público em geral no sentido de valorizar quem cria música e não apenas faz cover de bandas consagradas. Ao meu ver essa é a principal dificuldade de quem tem uma banda autoral na cidade.
8 - Para quem nunca viu a Mythologyca ao vivo, o que o público pode esperar da performance de vocês em termos de energia?
Estar no palco é uma coisa mágica, é o clímax de todo o trabalho que foi feito nos bastidores. A gente sobe no palco com a missão de divertir, inspirar e plantar uma boa semente no coração das pessoas. Creio que nossos shows são uma troca de energia com o público, é isso que quem nos assiste pode esperar.
9 - Depois do lançamento de singles recentes, o que podemos esperar da Mythologyca para 2026/27? Há um novo álbum a caminho?
As ideias não tem descanso, já temos várias músicas encaminhadas e estamos trabalhando para que elas possam serem ouvidas em breve.
10- Se vocês pudessem escolher qualquer figura mitológica ou ser o “mascote” definitivo da banda em um palco de festival, quem seria e porque?
Creio que temos vários candidatos ao posto, hehehehehe Cacique Guairacá seria um deles, a Deusa e senhora dos corvos seria outra, mas para mim seria muito difícil ter que escolher apenas um, um bom pai não tem filho favorito.

Entrevista por: Rodrigo Costa
Entrevistado: Mythologyca
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