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Entrevista - Porttal
Supremacia Rock Entrevista Porttal
Por Administrador
Publicado em 09/07/2026 11:30
Supremacia Rock Entrevista

Saudações Hellbangers.

Supremacia Rock trás para vocês mais uma entrevista com um dos nomes mais conceituados da cena Curitiba, PORTTAL.

Vamos nessa...

1 - O nome "Porttal" carrega um conceito filosófico forte, o limiar entre mundos, a passagem do profano ao sublime. Como esse conceito se traduz na música e na identidade visual da banda?

O nome Porttal realmente veio dessa ideia de outras dimensões, algo misterioso e mágico, conectando outros mundos. Tem muito dessa atmosfera oitentista com um toque de psicodelia. Dentro da ideia da banda, eu e meus companheiros sempre falamos sobre “entrar no Porttal do Heavy Metal”: ser transportado direto para os anos 80, quando a galera saía para curtir um som nos pubs da cidade. 
Desde a Inglaterra até aqui no Brasil, cada lugar com sua cultura, mas todos compartilhando a mesma energia do Heavy Metal.

2- A proposta declarada é resgatar o Heavy Metal Tradicional Britânico dos anos 80. O que, na visão de vocês, se perdeu nesse gênero ao longo das décadas? A Porttal nasce como resposta a essa lacuna?

Acho que a chama do Heavy Metal tradicional nunca apagou. Sempre existiram apaixonados pelo estilo ao redor do mundo e eventos clássicos que continuam vivos até hoje, como o Keep It True e o Wacken. Com o passar do tempo e o surgimento de várias outras vertentes do metal, desde o extremo até o nu metal — a mídia começou a abrir espaço para novos estilos e bandas mainstream, algo que continua acontecendo até hoje.

Mas tenho a sensação de que, nos últimos anos, o Metal Tradicional voltou a ganhar força. Muito disso por acontecimentos históricos da cena: o último show do Black Sabbath e do Ozzy, o retorno de bandas clássicas e turnês históricas. Slayer falou que ia parar e voltou. Kiss também. Mercyful Fate retornou depois de quase 20 anos, trazendo novamente o King Diamond aos palcos. E no meio de tudo isso, o Porttal surgiu para deixar sua própria marca no tempo, ao lado de bandas estrangeiras como Enforcer, Cauldron e Vulture, e parceiros da cena local como Leather Wrath, Stygian, Phantom Star, Creatures que inclusive representaram Curitiba no Keep It True. Na cena nacional atual também existem bandas incríveis como Blade of Steel, Facing Fear, Trovão, Hellway Train, Álcool, entre outras, mantendo viva essa essência oitentista.

3 - Iron Maiden, Judas Priest e Saxon são citados como pilares. Mas as influências individuais dos membros vão de Black Sabbath e Savatage até Tool, Dream Theater e até The Doors. Como essa diversidade coexiste sem diluir o som da banda?

Realmente, bandas como Judas Priest, Iron Maiden, Accept, Randy, Angel Witch, Saracen, ChariotWitch Cross e Cloven Hoof fazem parte da essência do PorttalMas ao mesmo tempo temos muito clara a nossa identidade própria: uma estética oitentista, misturando Heavy e Speed Metal com letras inspiradas em filmes de terror estilo anos 80 e críticas político-sociais.

Mesmo com gostos pessoais diferentes entre os integrantes, enxergamos essa variedade musical como um leque de referências para usar nas composições. No fim, todos somos apaixonados pelo Heavy Metal em suas diferentes vertentes e entendemos muito bem qual é a identidade do Porttal

Nosso baterista, por exemplo, traz referências de Rush em músicas como “Queimando Asfalto”, “Lua Cheia”, mas sempre mantendo a pegada que queremos para a banda.

Essas músicas têm um lado mais político e social. Nas entrelinhas, falam sobre elite controladora, críticas políticas e o caminho de guerra e destruição para o qual a humanidade parece estar indo.

4 - O repertório autoral já conta com sete faixas, incluindo títulos como Marcha da Morte, Sombras do Crime e Fim dos Tempos. Há um fio narrativo ou temático conectando essas músicas, ou cada uma existe em seu próprio universo?

Essas músicas têm um lado mais político e social. Nas entrelinhas, falam sobre elite controladora, críticas políticas e o caminho de guerra e destruição para o qual a humanidade parece estar indo.

5 - A faixa de abertura (Porttal) é instrumental. Qual é o papel dela dentro do repertório?

A ideia da instrumental é preparar a atmosfera do Porttal no ambiente. É como se o ouvinte se desconectasse do mundo atual para entrar no portal e embarcar diretamente no universo do Heavy Metal.

6 - Como funciona o processo criativo da banda?

Todos na banda têm liberdade para criar e colocar suas referências nas músicas, desde que todo mundo goste e aprove, claro hahaha. Normalmente alguém aparece com uma ideia de riff ou uma base mais sinistra, a galera curte e começa o trabalho em cima. Muitas vezes surge até durante improvisos nos ensaios. Às vezes o Eddy chega com um riff pronto, outras vezes eu fico em casa viajando na guitarra e mando ideias por áudio no grupo.

Depois disso, eu (Miguel) e o Eddy geralmente trabalhamos nas letras durante os ensaios na garagem, mas sempre deixando espaço para todos participarem e acrescentarem ideias.

Também já aconteceu o contrário: primeiro surgir a letra com alguma composição do Fábio e depois construirmos o instrumental em cima dela. Inclusive estamos trabalhando assim em uma música nova no momento.

7 - A lista de covers vai de clássicos do Judas Priest e Iron Maiden a faixas mais obscuras como Crusaders of Hell do Hunter e Dragon 's Breath do Omen. O que a escolha dessas músicas diz sobre a identidade da banda?

Queremos mostrar nossa identidade oitentista através de bandas que são referência para nós. Tocamos desde clássicos mais conhecidos, como Judas Priest e Iron Maiden, até bandas Underground como Randy, Chariot e Hunter, que normalmente são mais conhecidas pela galera da cena. 

Também gostamos da ideia de apresentar essas bandas menos famosas para pessoas que acabam ficando presas apenas no mainstream.

Existem verdadeiras pérolas do
Heavy Metal que talvez não tenham alcançado o mesmo sucesso comercial, mas possuem a mesma qualidade e essência.

 

8 - Tocar covers de bandas que são referências diretas de vocês, isso pressiona ou liberta?

Na minha opinião, como alguém que toca guitarra desde os 12 anos escondido no quarto e hoje tem a oportunidade de tocar em uma banda, é algo libertador. Eu realmente faço aquilo que gosto, com feeling e satisfação. Então, para mim, é muito mais libertador do que pressionante. 

Mas lá no fundo sempre existe aquela pressão de entregar um bom show e tocar a música da forma que o público espera.

Tocar perfeitamente a parte daquele solo clássico que alguém da plateia está 
esperando ouvir desde o começo da música hahaha.


9 - Como a banda equilibra homenagear os mestres e ao mesmo tempo construir voz própria?

O objetivo principal do Porttal sempre foi construir um som próprio.

As homenagens aos mestres acabam surgindo naturalmente conforme o clima do ensaio e do dia a dia da banda. Às vezes alguém sugere uma música nova, todo mundo curte e ela entra para o repertório, não necessariamente pensando em um show específico, mas simplesmente porque gostamos daquela música.

Mesmo quando não tocamos ao vivo, muitos desses sons ficam no repertório para aquecimento ou diversão no estúdio. 

A última que estávamos tirando era “Alice in Hell”, do Annihilator, mas ainda não tocamos ela ao vivo.

10 - A banda está gravando no Estúdio 68 em Curitiba, correto? O que está sendo registrado agora, um EP, um álbum completo? Qual é o plano de lançamento?

A mágica quase sempre acontece nas sextas-feiras no Estúdio 68, do nosso amigo AndréSeja ensaio para show, processo criativo, gravação de demos ou simplesmente para tomar uma cerveja e trocar ideia, é lá que muita coisa acontece. Já gravamos algumas demos, mas deixamos tudo em off porque sempre tivemos a ideia de divulgar o material somente quando estivesse realmente pronto.

Nosso objetivo sempre foi lançar um álbum completo. Mas pelo andamento do projeto e pelas conversas internas da banda, estamos decidindo lançar duas músicas primeiro como uma prévia do trabalho. E dessa vez queremos fazer algo mais trabalhado, não apenas uma demo simples, mas uma produção com mais tempo e dedicação.

A ideia é lançar isso até o fim do ano.


11 - O release menciona uma nova música ainda em processo de composição. O material em desenvolvimento aponta para alguma evolução ou mudança de direção em relação ao que já existe?

Sim e não.
A identidade continua a mesma: temas sombrios, riffs rápidos, peso e atmosfera oitentista. Mas essa nova música tem uma diferença importante: a letra foi escrita por mim (Miguel). 

Nas outras composições, as letras normalmente eram feitas principalmente pelo Eddy e pelo Fabio, com algumas contribuições minhas. Nessa música, a inspiração veio muito de faixas como “Beast of the Night”, do Randy, músicas do Exciter e também “The Ripper”, do Judas Priest.

A ideia foi criar aquela sensação clássica do Heavy Metal de uma criatura ou entidade misteriosa sendo descrita ao longo da música, trazendo aquele clima sombrio e ameaçador típico dos anos 80.


12 - A banda se apresenta como um chamado àqueles que ainda acreditam no poder da música pesada. Qual é a mensagem que vocês querem que o ouvinte leve depois de atravessar esse “portal”?

Queremos mostrar que a chama do Heavy e Speed Metal tradicional continua viva, mostrar que a chama do Heavy e Speed Metal tradicional continua viva. Também queremos transmitir toda essa influência das nossas raízes metalísticas através de uma apresentação intensa, com energia e presença de palco.


A ideia é fazer o público sentir a experiência de assistir uma banda formada por pessoas que realmente têm sede de tocar e são apaixonadas pelo que fazem.

 

13 - Como vocês avaliam a saúde da cena metal extremo em Curitiba hoje?

Quem talvez pudesse responder isso ainda melhor seria nosso baixista Roberto, porque ele também toca HardCore e já participou de bandas de Death MetalMas falando de forma geral, tanto no metal extremo quanto no tradicional, eu ainda vejo esperança no crescimento e valorização da cena autoral.

Principalmente agora com bandas como o Creatures ganhando reconhecimento internacionalmostrando que Curitiba e o Brasil ainda produzem Metal de muita qualidade. Ao mesmo tempo, ainda existe uma valorização muito maior das bandas cover e tributo. Os bares acabam investindo naquilo que atrai público de forma mais garantida: músicas conhecidas, nostalgia e bandas que as pessoas já sabem o que esperar.

É compreensível do ponto de vista comercial. Mesmo assim, Curitiba ainda possui espaços importantes que apoiam o som autoral, como Lado BCamaleão Cultural, Basement, Blood, Belvedere, CBGB, Dino Cultural, entre outros.


14 - Qual foi o show mais marcante que vocês já fizeram, e por quê?

Um dos shows mais satisfatórios foi no Metal Reunion, realizado no Blood. Durante “Lua Cheia”, vimos a galera cantando o refrão junto com a banda, e aquilo realmente marcou a gente.

 

15 - Fazer música autoral no underground brasileiro é um desafio constante. Quais são as maiores dificuldades enfrentadas pela banda, tanto financeiras, logísticas, e de divulgação?

A maior dificuldade do Underground para bandas autorais talvez seja conquistar espaço em um cenário onde o público muitas vezes prefere aquilo que já conhece. Como eu ja disse, os bares e casas acabam investindo bastante em covers e tributos porque naturalmente isso traz retorno mais garantido. A pessoa sai de casa sabendo exatamente o que vai ouvir, existe o fator nostalgia e isso movimenta público. 

Enquanto isso, bandas autorais precisam conquistar esse espaço praticamente na força da paixão e da persistência. Além disso, existe toda a dificuldade de produção: gravação, equipamento, divulgação, tempo, grana, logística, organização. Quase toda banda underground trabalha conciliando emprego, vida pessoal e música ao mesmo tempo.

Mesmo assim, o Heavy Metal tradicional continua vivo porque existe uma cena muito apaixonada. Sempre tem gente organizando evento, apoiando banda nova, indo em show Underground e mantendo essa chama acesa. 

E acho que hoje também existe uma nova geração começando a olhar novamente para o Heavy Metal tradicional. Bandas nacionais e internacionais estão ajudando nisso. Então, apesar das dificuldades, ainda vemos muito valor em continuar fazendo um som verdadeiro, com identidade própria e amor pelo Metal.

Entrevista por: Paula Butter 
Entrevistado: Porttal

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*Supremacia Rock, Portal De Mídia Underground*

 

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