Saudações hellbangers.
Supremacia Rock Entrevista uma das bandas que vem assombrado o cenário Metal Curitibano, no bate papo da vez a icônica STYGIAN.
Vamos nessa...
0- De onde veio o nome Stygian e quem fundou a banda?

O nome veio da obra de Robert E. Howard, Conan o Bárbaro, no caso da terra fictícia de Stygia que é majoritariamente um deserto e que tem todo aquele misticismo envolvendo feiticeiros, maldições deuses antigos e por ai vai.Então, quem conceitualizou a Stygian e foi testando as formações até chegar na primeira fixa foi o Raul, no caso era o Bini (guita), Raul (vocalista), Adrian (batera) e João (baixista), posteriormente eu que vos escrevo, (João, vulgo Jão) entrei na banda para pegar a batera no lugar do Adrian, já que eu acompanhava bastante a banda lá por 2023.
1- A Stygian se apresenta como "os últimos defensores da Fé Heavy Metal". Diante de tantas subvertentes modernas, como vocês enxergam a importância de manter a pureza e a crueza do som oitentista nos dias de hoje?
Cara essa apresentação é ao mesmo tempo uma homenagem ao Judas Priest, e também algo que a gente procura carregar como mantra, seja na composição ou atitude, defender a fé do Heavy Metal pra gente não é só a estética sonora e visual, mas manter a rebeldia e o inconformismo com o que existe de podre na sociedade, seja político, social ou religioso.
2- O som de vocês transita entre o épico e o cru. Qual é o segredo para unir a agressividade técnica de nomes como Tank e Grave Digger com as harmonias mais etéreas que aparecem nas composições?
Essa variação vem muito das nossas referências sonoras e experimentação, normalmente a gente tenta trazer um sentimento específico com cada música e vai trabalhando em cima dele com o tempo, eu pessoalmente creio que isso venha muito das bandas de Heavy/Power Metal clássico que a gente escuta como Omen, Heavy Load, o próprio Grave Digger, Riot, etc.
3- Bandas como W.A.S.P. e Mercyful Fate sempre prezaram muito pela aura e pelo impacto visual. Como a Stygian trabalha essa construção de atmosfera para que o show seja mais do que apenas execução musical, mas uma experiência de "maestria torpe"?
A gente busca muito isso na teatralidade do show, pra gente um show de metal não é só um display técnico, ele tem que realmente ser um show na literalidade da palavra, o que a gente puder trazer pro palco de espada, machado, fumaça, luz, farra e interação com o público a gente vai trazer. É muito importante que a plateia se sinta envolvida, e simplesmente se divirtam depois de passar a semana se ferrando no trabalho e na vida cotidiana.
4- Esses singles já lançados soam como uma verdadeira convocação. Qual foi o ponto de partida para compor e o que elas sintetizam sobre a filosofia que a banda quer transmitir ao público?
Tanto a Heavy Metal Load quanto a Unholy Blade tem como ponto de partida os arquétipos, sendo a heavy metal load algo que parte de dentro do imaginário do próprio metal e da cena, é o fim do mundo os headbangers queimam, levante-se e lute, é a carga pesada do metal. Já a unholy blade traz o misticismo e o imaginário construído em volta da lenda da espada amaldiçoada, a corrupção dela em quem a empunha e por ai vai. São temas recorrentes no heavy metal, porém a gente sempre tenta trazer uma originalidade pra eles, e provar que é um gênero que sempre se reinventa e se fortalece a cada investida.
5- Os codinomes dos membros — Salém, Hand of Doom, Samurai e Beholder — sugerem uma forte personificação. Como essas identidades individuais se fundem para criar o que vocês chamam de "som stygiano"?
Esses nomes de “power ranger”, são para criar ainda um imaginário de teatralidade mais amplo e que penetra as personificações dos membros da banda no palco, até porque não tem muita graça anunciar um membro e o nome dele ser João, se você chuta um arbusto sai dez, e se for no show da Stygian tem 2.
Cada nome é uma referência a algo individual, seja um gosto que nem o do Bini pelo Sabbath ou um trocadilho com o sobrenome do Raul, ajuda a sair do cotidiano e é algo que a gente preza pro público e banda, tocando o Bini por exemplo não é o trabalho dele, as contas e boletos, ele é o Hand of Doom.
6- Curitiba é um terreno fértil, mas exigente. Como tem sido a recepção da "velha guarda" e das novas gerações à proposta de vocês, especialmente após as primeiras incursões nos palcos da capital?
Pelo o que a gente tem recebido de feedback, tá sendo muito massa, a gente sempre recebeu bastante apoio de bandas maiores, produtores e donos de bar da cena; a nossa plateia geralmente é um panelão de toda a galera do Underground junta, e muitas vezes gente que não é do meio do Heavy Metal. Isso é um dos melhores cenários por aqui, porque além de estarmos tocando pro público-alvo, a gente consegue cativar uma variedade de pessoas diversas, e isso em específico é um dos objetivos da banda, unir mais a cena do Metal, com eventos, participação, produção, etc.
7- Para atingir essa sonoridade suja e orgânica, houve um cuidado especial na escolha de equipamentos ou técnicas de gravação que remetessem à era de ouro do gênero, fugindo das produções digitais excessivamente limpas?
Com certeza! Inclusive é por esse apreço que nós buscamos as mãos, ouvidos e braços musculosos do Arthur Migotto do Heavytron Studio para nos auxiliar e produzir nosso Full Lenght e single Unholy Blade, já que ele compartilha de nossa paixão pelo Heavy Metal, possui um talento enorme na produção musical, além de trabalhos incríveis como sua participação de vocalista na Hazy Hamlet, ou nas produções das bandas Creatures e Espectro entre muitas outras aqui de Curitiba.
8- Com as apresentações fora de Curitiba, como vocês avaliam a força da cena Heavy Metal no interior e em outros estados? O plano agora é intensificar essa circulação para além do eixo principal?
O Heavy Metal tá se fortalecendo aqui em Curitiba notavelmente. Nós acreditamos que tem muito a ver com bandas maiores como Creatures estarem se mostrando uma presença de cada vez mais peso na cena Nacional e Internacional assim como as bandas que se inserem na cena do Heavy Metal curitibano como a Phantom Star, Wild Witch, Espectro e até nós estarmos procurando fortalece juntos a própria cena. Um motivo exterior a esse na minha opinião (João batera), vem um pouco de toda aquela onda de nostalgia oitentista que vem crescendo ultimamente, o que acaba gerando mais interesse no gênero e no Underground.
9- As letras da banda parecem fugir do cotidiano comum, focando em refrões bradados e tons místicos. Quais universos (literários, cinematográficos ou filosóficos) servem de combustível para as composições de vocês?
Todos os membros da banda curtem muito os gêneros de espada e magia, sejam nos videogames, hq’s e literatura, uma influência bem grande sempre foi Conan, porém a gente vai muito pra temas de terror como o Exorcista e Evil Dead, fora temas históricos e ficção científica e claro a vivência do Metal em si.
10- Com o caminho já pavimentado por singles e apresentações marcantes, o que o "exército stygiano" pode esperar para o futuro próximo? Já existe um trabalho de fôlego, como um álbum completo, sendo produzido?
Se tratando de um futuro próximo e realmente próximo, nós estamos encaminhando para o lançamento de mais um single, desta vez da Camel Rider. Agora pensando mais pra frente ainda, estamos finalizando nossa produção do full-lenght junto ao Heavytron Studio e ao mestre Arthur Migotto, já na fase de mixagem com todo o material gravado. Então pra galera que nos acompanha a previsão do tempo nesse segundo semestre é chuva de aço e pra gente, pelo menos por enquanto, só ansiedade.

Entrevista por: Bruno Lacerda
Entrevistado: Jão/Stygian
Siga-os no Instagram STYGIAN
*Supremacia Rock, Portal De Mídia Underground*