Profane Souls e Mystifier Curitiba 2026.

A noite de 04 de Abril no Spunk Bar, em Curitiba, foi um daqueles eventos que ficarão marcados na memória da cena underground por motivos distintos: a brutalidade impecável das apresentações e a resposta firme da casa diante de incidentes de bastidores.
O Compromisso com o Público: O Caso Mystifier
Antes da análise musical, é necessário registrar o posicionamento da gerência do Spunk Bar. Devido a graves acusações de assédio envolvendo o músico Armando (Mystifier), a casa, representada por Rangel e Laris Zonta, agiu prontamente. O músico foi proibido de permanecer no local, uma atitude que reforça a integridade do Spunk Bar e o respeito ao público. Em tempos de debates necessários sobre segurança nos eventos, a postura foi exemplar: o entretenimento jamais deve se sobrepor à ética e ao respeito.
Profane Souls: A Força do Black Metal Sulista
Abrindo o altar, o Profane Souls entregou uma performance destruidora. Com a casa cheia e uma energia violenta, a banda provou por que é uma das maiores do gênero no Sul. O grande destaque foi Caio na bateria, que com um "pé pesado" e técnica absurda, elevou o nível da apresentação, ditando um ritmo de arregaço sonoro.
O setlist foi um ataque direto e sem firulas, passando por hinos como "O Reino Negro", "Filhos Profanos", "Rastros de Sangue" (onde a precisão rítmica foi impecável) e o encerramento caótico com "Batalhas Sangrentas". Foi uma aula de como manter a chama do Infernal Black Metal viva e relevante.

Mystifier: O Ritual de Magia Negra no Spunk Bar
Apesar dos pesares e das polêmicas extracampo, o Mystifier no palco provou por que é uma entidade mundial. A banda entregou um show "foda", onde o clima cerimonial e a agressividade rítmica dominaram o recinto.
Seguindo o setlist que vem avassalando a turnê brasileira, o grupo trouxe clássicos absolutos como "An Elizabethan Devil-Worshipper's Prayer Book" e "Osculum Obscenum". A atmosfera densa e os riffs malignos criaram um transe coletivo, culminando no tradicional cover de "Nightmare" (Sarcófago), que transformou a pista em um turbilhão de corpos e reverência ao legado do Metal Nacional. A execução técnica continua afiada, com vocais viscerais que ecoaram por todo o bar.
O evento no Spunk Bar foi um manifesto. Musicalmente, tivemos o ápice do Black Metal nacional com o Profane Souls e o Mystifier. No aspecto social, vimos uma casa que não se omite. A noite terminou com um saldo positivo: a música sobreviveu, e o público saiu respeitado.

Crédito foto: Luiz Felipe
Confira mais sobre o show AQUI.
*Supremacia Rock, Portal De Mídia Underground*.